segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lindas e poderosas, delegadas se destacam em ambiente masculino


A gaúcha doutora Elizângela tem mestrado, doutorado e dois livros sobre drogas e crimes sexuais.


"Sou delegada de polícia há 15 anos. Quando entrei essa realidade era um pouco diferente. O percentual de mulheres vem aumentando na polícia”, diz Jéssica de Almeida, diretora da Academia de Polícia.
A doutora Andréa Ferreira tem 25 anos e poderia até ser confundida com uma modelo, mas ela comanda uma delegacia inteira em Taquara, no Rio Grande do Sul. “A equipe A vai entrar por trás da casa e a equipe B entra pela frente. Tudo certo? Então vamos nos arrumar”, coordena Andréa.
“A Academia de Polícia praticamente muda a nossa mentalidade de enfrentar o medo. Então o medo acaba ficando em segundo plano”, diz a delegada.
“Roupa de trabalho não tem decote. Eu evito usar calça jeans, procuro roupas mais sociais. Sapato alto sempre, 24 horas, porque eu sou mulher. A gente não pode esquecer que, independentemente da profissão, a gente é mulher, vaidosa. Sempre o distintivo”, conta Marcela Ortiz.
“As pessoas ainda se surpreendem. Ficam, no primeiro momento, surpresas, sem palavras. Elas ficam olhando, por exemplo, ‘eu pedi para falar com o delegado’. Poxa, é ela a delegada? É ela que vai chefiar? Será que ela tem capacidade? Mas quando você começa a se colocar, a tomar as decisões corretas e mostrar o seu conhecimento jurídico...”, conta Marcela.
“A gente tem que acertar, que ser competente, tem que mostrar que sabe o que está fazendo para que as pessoas confiem na gente”, afirma Elisa.
“Acho que mais do que os homens”, avalia Marcela.
“Somos testadas o tempo todo e precisamos acertar o tempo todo. O menor erro perde a confiança”, diz Elisa.
Preconceito no trabalho e nos relacionamentos amorosos. Marcela conta que já perdeu namorado por causa da profissão. “Aqueles homens mais machistas, ou homens mais inseguros, não ficam muito tempo. Eles se afastam”, completa Elisangela.
“A arma tem que ficar no corpo. Agora está na bolsa porque está filmando, não vou ficar com ela aqui”, diz Renata Fagundes.
Por que está aumentando a procura pelo cargo de delegada da polícia? “A gente vem de uma polícia de enfrentamento para uma polícia que está buscando a paz, uma polícia de pacificação. Eu acho que essa polícia mediadora tem muito a ver com o papel da mulher. Essa delegada traz para esse ambiente policial uma harmonia e uma capacidade de solucionar conflitos. A mulher está percebendo que o cargo de delegado é bastante feminino”, avalia Jéssica de Almeida.
Se você se animou, não pense que é fácil. É preciso se formar na faculdade de Direito, prestar concurso público. “A gente estuda bastante. São concursos longos, que duram praticamente um ano e meio”, diz Andréa. Mas só pode assumir uma delegacia, se passar na formação da Academia de Polícia. “Para aprender a atirar, defesa pessoal e depois de um ano e meio, dois anos, a gente se forma em delegada. Tem que estudar muito não só antes de fazer o concurso, como durante e depois”, diz Andréa.
A atriz Giovanna Antonelli conta o que descobriu da vida de delegada de polícia, que surpreendeu. “Hay que endurecer, pero sem perder ternura jamais. É verdade, né?”.













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